de volta ao grupo união de AA - casa do alcoolatra

26/02/2013 01:35

 

De volta ao Grupo União,

 Com saudades do meu padrinho simbólico.

 

 

 

 

       Foi em meados de agosto de 2000 quando voltei ao Grupo União de Alcoólicos Anônimos. Em algumas visitas anteriores percebi que o grupo, apesar de bem arrumado aspecto físico, estava quase sem reuniões por falta de membros e me pré-dispus, mais ou menos nesta data, a fazer algo para melhorar a freqüência.

       Fui ingressado no Grupo Tarde Azul de Alcoólicos Anônimos, no centro de Belo Horizonte - Mg e com alguns dias , talvez menos de sessenta dias comecei por convite do companheiro Chafic a freqüentar o Grupo União. Na oportunidade, lembro-me bem de ser apresentado ao companheiro OTACÍLIO e com alguns dias , quis comprar uma caixa de ferramentas para um fusquinha ( volks) que eu havia adquirido. Foi onde  alguns companheiros  numa conversa de pé de ouvido disseram: “Este cara não vale Nada .”- Desisti da compra e o companheiro Chafic acabou que em poucos meses por desistir  e abandonou o cargo de Secretário do Grupo União.

       Tinha como já disse adquirido um fusquinha amarelo e as mulheres principalmente as mais maduras sempre pediam carona. Sempre havia um convite para uma festa uma visita ou um passeio. Uma ou Outra às vezes usavam de audácia para se aproximar mais . Como sou (era) experiente com mulheres apesar de na época ter 27/28 anos , sempre soube sair bem dos convites e assédios.

       Ocorre que passei após  03 três meses a fazer uma freqüência regular no Grupo União e via o trabalho exagerado do OTACÍLIO para manter uma certa organização no Grupo. Sempre combatido pelos companheiros em especial. Waldemar Agnelo e Manoel de Carvalho e sempre elogiado pelo companheiro José Alberto.

       José Alberto era Gay  e encostado pelo antigo INPS, muito atencioso para com a minha pessoa, começou  em pouco tempo a trabalhar comigo em meu Escritório de Contabilidade também no Centro de BH e começou a orientar-me  dizendo quem era quem no AA. como funcionava. Acabou por me indicar como Secretário de Correspondência do Grupo União .- Sou o único Secretário de Correspondência do A A que nunca mandou e nem recebeu qualquer carta. O José Alberto fazia tudo em meu lugar. Conheceu minha esposa e meus filhos e começou a defender-me das mulheres exageradas do AA. E, pela informação do José Alberto e pela luta do fundador do Grupo, Sr  OTACÍLIO, percebi que muita injustiça e exageros são cometidos - “Não Intencionalmente”, mas  quem criticava o responsável pelo Grupo na época, estava sendo injusto.

Cheguei para o OTACILIO  e disse: -Isto não é justo, -Estou com você ! - Mesmo não entendendo quase nada, comecei a prestar meus serviços ao Grupo União. - Lembro-me  da época quando cheguei; o Grupo era muito feio, pequeno e desconfortável. Lembro-me também que aumentamos o tamanho do Grupo. Coloquei alguns  anúncios  no Jornal. - O Wanderley me admirava, mas ficava em cima do muro. Foi quando o Sr Fulgêncio numa das Reuniões foi a cabeceira de Mesa e sem citar meu nome  faltou me chamar de santo, o resto ele chamou. Tudo isto porque segundo ele, não podia colocar anúncio de AA no jornal.- Porém  na época achei esquisito pois havia escutado do companheiro ILÍDIO (companheiro que trouxe o AA para Belo Horizonte)  que ele havia lido um anúncio numa revista. Foi ao Rio de Janeiro, pegou algumas literaturas e em sua sapataria teria iniciado o A A em nossa Terra. - Se ele havia lido numa Revista, porque eu não poderia colocar o anúncio num Jornal ? - O jeito era esperar para ver. Nesta altura já tinha consciência  que alcoolismo era uma doença, apesar de não admitir que era um doente, comecei a trabalhar com OTACÍLIO  num planejamento de um Grupo melhor. Zé Alberto ia falando sobre os 12 passos de AA e eu fui me encaixando, graças a DEUS e ao Trabalho, as experiências de meus colegas de Grupo e ao entusiasmo por estar conseguindo abandonar os hábitos da bebida, fui dominando meu vício e com 02 (dois ) anos de A A  já admitia que era um alcoólatra e que tinha perdido o domínio da minha vida.

       Disse ao conhecer ao OTACÍLIO que a maioria dos mendigos eu achava que era proveniente  do alcoolismo. Se eles tivessem a chance de ouvir a mensagem do A A, assim como eu estava tendo, “Recuperando minha vida” eles também poderiam fazer.- Qual foi minha surpresa quando o OTACÍLIO disse que arrumara um lugar  pra eu falar aos mendigos. Surpreso, fiquei emocionado comecei com a ajuda  de alguns companheiros e amigos  a fazer palestras sobre alcoolismo na Fraternidade espírita  IRMÃO GLAUCO - Rua Henrique Gorceix 30 padre Eustáquio -BH/MG.

        OTACÍOLIO era um cara legal. A gente errava junto e mesmo assim dava certo. No primeiro dia da Palestra em 27.10.1984 , chegamos a fazer o ingresso de 12 (doze) mendigos no AA. - Com o tempo, percebemos que não adiantaria pois as salas enchiam de derrotados entusiasmados a melhorar de vida e as Reuniões sendo só uma vez por semana e a maioria sem família para ampará-los quase todos voltaram a beber.- Enquanto  estávamos reunidos no salão no 2O.andar, tudo bem mas, quando fomos transferidos para uma sala pequena , chegamos a ficar reunidos com 50(cinqüenta) mendigos em local apertado, aí o bicho pegou: - Não seria possível mais fazer palestras sem que eles tomassem banho, cortasse o cabelo e trocasse de roupas tudo isto oferecido pela fraternidade  e algumas vezes pelo Coutinho . Como tudo na vida tem os metidos a esperto pois queriam ganhar e não participar da Reunião. Foi então criado pelo Hugo, administrador da fraternidade, a Evangelização, ou seja, a preferência  para almoçar a sopa era para quem  ouvisse a palestra do AA ou Evangelização. Com isto acabou-se com toda discórdia entre mendigos  que se fazia na porta da Fraternidade.

Curiosamente enquanto fazia  as palestras, consegui dinheiro emprestado  com  minha irmã Amália “e meu irmão Emanuel e com a venda de uma linha Telefônica, consegui dar entrada em um Apartamento no bairro Alto Barroca e posteriormente mudei com minha família para lá - Após passado alguns meses, como meu casamento era muito conturbado. Parte pelo meu alcoolismo parte por inexpressão maternal de minha esposa, pensei -“vou comprar mais dois apartamentos financiados pelo B.N.H. Daqui 15, 20 ou 25 anos meus filhos terão pelo menos um lugar para morar e poderei me despreocupar..- Assim, coloquei um anúncio no Jornal “Compro Apartamento financiado pelo BNH, pago à vista.- Pra que . Era tanta gente querendo ficar livre da prestação do imóvel que o telefone não parava . - Tinha ganhado uns blocos de mecanografia do Chafic, amarelos, e grandes e fui anotando as ofertas de venda com tipo  do Imóvel local nome e endereço do proprietário. - Aí   pensei: ‘o que vou fazer com isto, não tenho condições nem de pagar as prestações dos dois que pretendia, quanto mais de uma centena de Imóveis “- Então conclui que teria chance se vendesse algum para alguém e assim tentei.- Anunciei no jornal que vendia  imóveis financiados. É curioso já no primeiro negócio que fiz, comprei uma moto do meu sobrinho torto “Durvalino “. ele pode ser feio mas a moto era linda linda.- Já na segunda venda, ganhei Cinco mil Cruzeiros . isto eu não ganhava como Contador nem trabalhando o ano inteiro. Aumentei a publicidade e pensei: - “Agora largo os mendigos e racho de ganhar dinheiro, vou trabalhar aos sábados (dia que fazia as palestras) .Quando depois da palestra que seria a última, olhei para traz, os vi sentadinhos e arrumadinhos e pensei de novo : - Quem vai cuidar deles ? - Sem outra opção, voltei sentei na minha cadeira  numa mesa de frente para Eles e fui agradecer por ter parado com bebida alcoólica e  poder ajudar meu próximo - Lembro-me sempre dos 10 (dez) doentes  que JESUS curou. Um deles voltou e agradeceu.

Nesta altura, fizemos um Grupo muito bonito. Cadeiras azuis um barzinho para servir chá  café e biscoito, na parede um espelho e um quadro de mendigo derrotado e ainda um crucifixo em arame, lindo. Não mais fazíamos ingressos e sim trabalhávamos como Grupo de Apoio- Aumentamos para três Reuniões semanais  e encaminhava os que queriam parar de beber para os Grupos próximos ao local onde eles ficavam. - Portanto de 1984 a 1989 fizemos palestras para mais de 5000 ( cinco mil ) mendigos. Centenas talvez milhares voltaram para casa , para o serviço e para a sociedade. Chegamos ao pondo  de irmos Eu, Coutinho e OTACÍLIO e os mendigos  a  almoçar no  Carretão Gaucho  na Pampulha. O Garçom, meu conhecido, perguntou: - São seus funcionários ?- Eu o chamei num canto e disse : “São Mendigos.”- Ele só falou: Mentiroso ! , virou as costas e nos serviu com muita cordialidade.

       A vaidade tomou conta de mim. O cansaço e a necessidade  de me reafirmar no patrimônio. A quebradeira de l987, tinha me arrasado. Eu não entendia porque estava quebrado financeiramente. Tinha certeza que DEUS tinha me dado tanto, mais tanto que só para ter uma base, cheguei a ter 15(quinze) veículos na porta de minha casa. Trabalhava bem com os  mendigos . Dava trabalho a eles  e os fazia se sentirem úteis (Como o OTACÍLIO fez comigo no AA )-Não entendia . Só mais tarde soube que DEUS  estava me ajudando outra vez.

       Na  mesma época que fazia palestras, ajudava  no Grupo União e ainda freqüentava  as Reuniões de Sábado no Grupo Tarde Azul - todo sábado ia em três reuniões de AA.

       O Grupo União encheu. Freqüência  ótima, chegamos a fazer uma Reunião Festiva  para 300 (trezentas) pessoas. O Nosso Grupo era  funcional . Pedi ao Otacílio que liberasse o cafezinho. Muita gente chegava no AA com fome. Talvez um café com biscoito ajudasse. Eu carregaria a mão. Gíria para por mais dinheiro na sacola, e o café ficava livre. Como havia muita reclamação do Otacílio, sugeri que fizéssemos uma reunião mensal de serviços onde eu que trabalhava para o Grupo União mas não fazia parte do Comitê de Serviços  geralmente coordenava  a Reunião. Foi triste quando numa reunião de Serviços para eleger o secretário Geral, por vaidade  de um dos candidatos  não deixou que o PIAUÍ ( ex mendigo ) votasse, alegando que o mesmo não fazia parte do Grupo. O Piauí saiu da sala , bebeu e voltou no outro dia embriagado, depois sumiu , nunca mais apareceu. Acho que morreu. - Quando ele (Piauí) voltou ao primeiro Gole, vi a responsabilidade que tinha o AA e a irresponsabilidade de alguns membros.- Neste dia chorei o dia inteiro.

       OTACÍLIO foi fazer uma limpeza nos ouvidos, voltou e chegou a aconselhar-me a fazer uma limpeza também, com o tempo voltou para o Hospital , não sei se houve algum outro problema , mas houve uma infecção hospitalar.

       Meu Grande Companheiro de obra ajudou centenas , talvez milhares de pessoas a paralisarem com o alcoolismo. Quando  ficou doente pouquíssimas , mas pouquíssimas mesmo, pessoas de AA foram visita-lo. Quando fui visita-lo, já era noite. Nesta época estava muito atarefado nos negócios, entrei de noite na Santa Casa , me perdi lá dentro, fui perguntando até chegar na enfermaria e no leito. Ele estava dormindo. Sentei ao lado de sua cama, fiquei brincando dando toque no soro, daí ele acordou e disse: -“Eu estou sonhando”- Conversamos  bastante . Eu o deixei a par das Reuniões  porém com um pouco de reservas para não incomoda-lo - Acho que ele também cuidou do meu emocional pois até hoje não tenho certeza de que ele morreu . Foi a última vez que o vi vivo.

       Com o falecimento de meu padrinho, ninguém se entendia dentro do grupo, Tentei de todas as formas  me encaixar com o Waldemar que assumiu o comando dos serviços. Porém toda reunião de serviços dava bagunça ou quase briga, quando numa reunião percebi que os novatos Pedro e Durval estavam contra mim. Minha decepção foi grande. Só sei que além dos novatos a turma da central de serviços também estava lá. O Roberto chegou a me ameaçar.  Todos numa alta vaidade . Isto agora pra mim é normal mas anteriormente foi um incômodo muito grande. Então, percebendo que não existia mais ambiente para mim no grupo, virei para o Pedro e disse: Isto aqui não é o que você está pensando não. Virei para o Waldemar e disse: Estou te entregando o Grupo. - Fui embora e aproveitei para conhecer outros grupos, outras pessoas, pouquíssimas vezes dei palpite em outro grupo, mas sempre que solicitado ajudei.  Voltava vez em quando no União mas não era a mesma coisa. Fui cuidar mais uma vez da minha vida material. Depois dos anos 1990 até 2000 fui muito feliz na minha vida material. Até que mais uma vez o strees me pegou e como o Grupo estava fraco e Waldemar abandonou o Grupo, então eu voltei. Fechei meu Escritório para não perder dinheiro uma vez que o sistema que eu usava para ganho estava inviável, e pude com a ajuda do Pêzinho  e do Churrasquinho, recomeçar e bem o Grupo.

       Só consegui trabalhar no Grupo no exercício de 2002. Ocorre que juntaram vários membros, a maioria deles eu fizera de tudo da minha parte para que paralisassem com seu alcoolismo e um descarado fotriqueiro e mentiroso inventaram no exercício anterior que não eram para votar no Coutinho que ele abandonava o Cargo. Repito nunca trabalhei anteriormente no Comitê de serviços. Fizeram uma verdadeira Gang e me caluniaram. No exercício seguinte mostrei meus dons e ganhei a eleição. Aí começaram a persuadir os novatos para bagunçarem o Grupo. Agüentei por 15 meses. Entreguei o Cargo, resultado, endividaram o Grupo. Voltei em novembro de 2003, sozinho ninguém quis enfrentar as discórdias, também não aceitei as dívidas e elas ficaram na responsabilidade do comitê anterior. Na hora que fui eleito novamente, tinha um programa de trabalho. Portanto só aceitei pegar o Grupo se o programa fosse aprovado, e foi. Ocorre que mais uma vez por vaidade de membros novatos que não conhecem meu passado no Grupo, tentavam de todas as formas me bloquearem. Então mais uma vez vendo que aconteceria desavenças, entreguei o cargo e hoje freqüento o grupo na condição de Veterano. O grupo está se recuperando bem.

       Passado alguns meses, fui convidado a reabrir o grupo Lagoinha. e aceitei.

Passados um ano e pouco, fiquei sabendo que : Não se fazem reuniões aos domingos pela manha, a Televisão e o vídeo foram devolvidos, e ainda um grupo que sempre teve reuniões diária agora só tem quatro reuniões por semana. 

       Desde a época que começaram a endividar o grupo, comecei a escrever e denunciar as irregularidades. Também por ser altamente apaixonado com o Grupo União e sendo discriminado chegando ao ponto de fazerem uma falsa reunião para cortarem minha cabeceira de mesa, comecei a escrever tudo. Acho que já tenho um manuscrito de dois livros e uma apostila.

·    AA é exatamente aquilo que cada membro gosta de ser. Eu gosto de emoção, então tenho quase todos os dias. Mesmo com várias decepções com outros membros, consegui paralisar com minha doença, fiz meu patrimônio, consegui salvar meu casamento, criei minha família, diga-se de passagem, muito bem. E agora, sou um escritor de mentirinha, mais sou.

·    Deus continue abençoando o AA.   

                           Manoel Coutinho 


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